A pesquisa utiliza métodos da literatura comparada e dos estudos culturais, com foco em textos ficcionais, seus heróis, seus cenários, seus países, seus espaços ficcionais, representados por meio de mapas. Interessa as relações entre cartografia e literatura. Com base num fenômeno inovador – a edição de mapas de fictícios (Utopia, Auenland, a Ilha do Tesouro…) sob a forma de atlas – questiono o surgimento na sociedade contemporânea, fortemente orientada para os estímulos visuais, de uma ordem alternativa da história da literatura ou da arte, considerando que esse tipo de cartografia está particularmente presente na literatura popular, séries de televisão ou jogos de computador (incluindo a fan art). A palestra, que se situa na intersecção entre as teorias da ficção e a geografia da literatura, descreve o encontro do gênero atlas (factual) com a ficção nos últimos 15 anos – desde a invenção do GPS e do Google Maps. Em uma segunda etapa, será abordada a longa história dos mapas de países fictícios – desde a xilogravura de Ambrosius Holbein para a obra Utopia, de Thomas Morus (na segunda edição de 1518), até o mapa de Westeros, da série de televisão Game of Thrones (2011-2019). Em uma terceira parte, serão apresentados mapas e, em seguida, atlas que reúnem uma variedade de países fictícios – o que também levantará a questão da conexão entre o mundo real e o fictício, bem como uma possível gradação da ficcionalidade
Identidade cultural entre o Brasil e a Europa: uma cartografia